A decisão do Banco Central de elevar a taxa de juros para 2,75% ao ano numa tentativa de conter a inflação foi bem recebida no mercado financeiro. Há seis anos que o BC não aumentava os juros, que estavam há sete meses com o menor nível da história.

Para o economista Fábio Passos, da Indosuez, a elevação da taxa básica da economia (Selic) em 0,75 ponto percentual foi um recado “bastante forte” do Banco Central para tentar conter a inflação.

“O Comitê de Política Monetária (Copom) deu uma resposta necessária para o problema da inflação e já indicou que essa taxa de 2,75% ao ano se manterá para a próxima reunião, o que é muito positivo”, afirmou Passos ao Metrópoles.

Segundo o economista, a medida é “extremamente necessária”, uma vez que os preços das commodities, como gasolina e alimentos, não param de aumentar e cresceriam ainda mais se a Selic se mantivesse em 2% ao ano.

Na prática, o aumento dos juros tem como objetivo dificultar o acesso da população ao crédito. Com isso, as empresas têm menos demanda e os preços caem. Junto a esse efeito, o dólar também tende a recuar.

Viagem à Disney

Nesta quarta-feira (17/03), a moeda norte-americana fechou em R$ 5,58. O economista-chefe da Infinity, Jason Vieira, brinca que isso não impacta “somente as viagens de fim de ano para a Disney”.

“Com o dólar controlado, investidores internacionais começam a botar dinheiro no país. Assim, eles geram emprego, renda e introduzem verba na economia. O dólar caindo gera conforto. Não é só besteira de viagem para a Disney. Gasolina, gás, commodities e uma série de alimentos são afetados na cotação do dólar”, afirmou Vieira.

“A queda do câmbio é muito benéfica. A própria elevação de juros significa a valorização da moeda. Se os juros estão mais caros, logo, a moeda está mais valorizada”, emendou o economista.

Resposta do mercado

A resposta do mercado à mudança na Selic já deve vir nesta quinta-feira (18/3). A economista Nathalie Marins, da Nécton, aposta que os juros longos devem cair e o dólar também deve retroceder já no dia seguinte à decisão do Copom. Para a especialista, embora a decisão tenha sido histórica, a alta dos jutos ainda está em níveis historicamente baixos.

“A taxa brasileira estava muito baixa comparada com México, Chile e outros países que são mais parecidos economicamente com o Brasil. Por isso, o tom do comunicado foi acertado e deve acalmar parte dos investidores”, afirmou Marins ao Metrópoles.

A decisão do Copom, entretanto, é contraditória, porque envolve subir os juros no momento em que a economia está em crise.

Movimentação inócua

Enquanto parte do mercado elogia a mudança, alguns especialistas criticam. O professor e economista da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecaf) Diogo Carneiro, por exemplo, afirma que essa movimentação pode ser inócua para conter a inflação neste momento.

“Estamos numa fase em que não se pode tirar demanda, porque as empresas já estão com muita dificuldade financeira. Essa medida, portanto, é ineficiente. A melhor solução seria tentar reduzir a incerteza, a partir da divulgação de ideias concretas do que o governo fará em relação às próximas políticas econômicas ou em relação ao combate à pandemia da Covid-19”, avaliou.


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